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sábado, 10 de agosto de 2013

PASSEAR NA CAPITAL

 PONTE HERCÍLIO LUZ SEMPRE FOI O CARTÃO POSTAL DE FLORIANÓPOLIS
 SENTAR NUM DOS BANCOS ,A SOMBRA DESTA FIGUEIRA É BOM DEMAIS.
                                            A FIGUEIRA CENTENÁRIA

 
 
 
  PASSEAR NA CAPITAL

 

O que hoje é um vapt  vupt, no passado era uma grande viagem.

Vencer os 150 km que nos separavam da capital ,era mesmo uma grande travessia. Hoje em dia até de bicicleta se faz esta viagem   no mesmo tempo  que o ônibus levava    antigamente.

As estradas não eram pavimentadas, eram  estreitas ,e bem sinuosas .

O ônibus  andava bem devagar, e não tinha muito conforto, era barulhento e tinha um cheiro forte de óleo queimado, mesmo com todas as janelas  abertas. Muita gente passava mal, ficava enjoada. Era a muito comum o  motor do ônibus  ferver. O motorista mais precavido já levava água em um latão para estas emergências. Os pneus furavam e tinham que ser trocados. Geralmente isso era feito pelo motorista  com a ajuda do cobrador e de alguns homens de boa vontade.  Muitas vezes esta viagem começava de manhã e só acabava a noite.  E quando tudo estava dentro do cronograma ,o ônibus fazia uma paradinha em cada cidadezinha.

E mais ou menos no meio deste trajeto tinha uma parada maior. Todos desciam do ônibus para fazer um lanche ou almoçar  e também ir ao banheiro.  Depois a viagem continuava.
 E mamãe ia falando de morros que nós iríamos ver e que o da  Cambirela tinha mais de mil metros de altura  e em 1942 nevou e parecia que o morro tinha um chapéu branco. Isso foi muito lindo.

Finalmente ,quando se avistava a ponte Hercílio luz ,era uma grande alegria. Cruzar a ponte  olhando o mar era   mais que uma aventura, era um premio pela longa viagem. Todos queriam ficar na janela. Na chegada  a rodoviária a mamãe  cuidava de segurar as crianças bem firmes pela mão. Já naquele tempo antigo  a capital era considerada cidade grande, e  cidade grande sempre foi conhecida como lugar perigoso.

 Na caminhada até a casa dos nossos  avós, passávamos pela catedral e é claro entravamos para rezar e agradecer a viagem. Depois uma paradinha  na praça XV, para bater uma foto na grande  figueira. O fotógrafo era conhecido como lambe –lambe, eu achava que era porque eles estava sempre com a boca aberta e com a língua de fora.

Mamãe comparava com as fotos do ano anterior e via que tínhamos crescido. A foto era em preto e branco, não existiam fotos coloridas naquele tempo.  E  mamãe contava a lenda da figueira. Quem queria arranjar namorado devia dar uma volta ao redor da figueira no mesmo sentido dos ponteiros do relógio. Andar em redor da figueira 3 vezes fazia a pessoa voltar sempre a cidade. Que a figueira estava plantada bem na frente da catedral e depois de 14 anos ele foi transplantada para  lugar  onde está agora...

O mercado  publico era o paraíso das coisas diferentes. Os adultos compravam o que não encontravam no interior, e as crianças  achavam ali  as famosas loucinhas de barro, e os piões de  madeira .

Mamãe conhecia  uma famosa rendeira de bilro e sempre levava a gente pra mostrar a agilidade que ela tinha em tecer  toalhas. É claro que também andávamos pela praia catando conchinhas, para depois levar para nossa coleção. As vezes  ficávamos  esperando para  ver os pescadores chegar com seus barquinhos  cheios de peixes, siris e camarões .

Outra coisa que gostávamos de ver era os pescadores  puxando a rede. Eles sempre cantavam   marcando  os passos num mesmo ritmo...

Os peixes  pulavam na areia , os  muito pequenos  eram  devolvidos ao mar.

Ficávamos lá por lá uns 10 dias, e era tempo suficiente para esquecer  a longa viagem.

E assim depois da missa de Nossa Senhora do Carmo de acontece no dia 16 de julho  começava a  grande jornada da volta. Vovó e vovô acompanhavam a gente até a rodoviária. Nós entravamos no ônibus  e  colocávamos a cabeça pra fora da  janela esperando para abanar .

Vovô nesta hora esticava o braço e nos dava um pacotão de balas, e começava a se afastar sempre enxugando os olhos com um lenço todo amassado.

O motorista falava alguma coisa e começava a viagem.

Mal cruzávamos a ponte já tínhamos comido balas de montão estávamos com sede.

A nossa sorte é que mamãe já sabia como nós éramos e levava  sempre uma garrafa de água.

Depois a gente se recostava no colo dela  e adormecia...
Arlete Trentini dos Santos

 


Um comentário:

  1. Como é bom recordar o passado e registrá-lo para nossos descendentes.
    As suas referências sobre o "figueirão" da Praça me fez lembrar daqueles aposentados que lá passavam o dia todo, apelidando os passantes que enxergavam: tinha um velhinho todo encarquilhado que não hesitaram de chamar "maracujá de gaveta"...

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